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Catarina Martins, Fidalgo Marques, Tânger Corrêa ou Francisco Paupério? Veja as notas – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Mai 15, 2024


O segundo debate para as Europeias não podia começar com posições mais antagónicas. Com o tema da imigração escolhido para arranque entre os cabeças de lista de Chega, Bloco, PAN e Livre, a discussão aqueceu logo entre Catarina Martins e Tânger Corrêa. “Quando se abrem as portas de forma escancarada, entram maus elementos”, afirmou o escolhido de André Ventura para liderar a lista do partido às eleições de 9 de junho. “A extrema-direita é o maior problema de segurança da Europa. Não há uma onda descontrolada de imigração”, respondeu-lhe a ex-líder bloquista, com o Francisco Paupério e Fidalgo Marques a mostrarem opiniões semelhantes.

Mas se a imigração os separou, a Ucrânia também não os uniu. Ou pelo menos, a forma como a União Europeia está a tratar a guerra. Catarina Martins chegou a falar em “eurocinismo” (falando mais tarde de Israel), depois de dizer que a “UE não tentou o caminho para a paz na Ucrânia”. Pedro Fidalgo Marques, do PAN, também defendeu que a UE deve incentivar “negociações” para a paz, ainda que em “paralelo” com o apoio militar, enquanto Francisco Paupério pediu uma UE “neutra”, agindo depois da Ucrânia e da Rússia colocarem critérios para um acordo. Já Tânger Corrêa defendeu que é preciso “apoiar a Ucrânia” para esta “não ir para a mesa das negociações numa situação de inferioridade” e considerou importante o papel do Reino Unido e dos EUA, dizendo não ter “percebido ainda” se uma possível vitória de Trump será um risco.

Sobre a polémica de uma defesa conjunta na Europa, o PAN defendeu “unidades de intervenção rápida” internacionais em alternativa a um exército europeu e pediu uma contribuição extraordinária sobre lucros da Defesa, enquanto o Livre disse preferir uma “política de segurança comum”. Já Catarina Martins não deixou passar a questão israelo-palestiniana, afirmando aquilo que diz ser a existência de armamento europeu a apoiar o “massacre em Gaza”. Para Tânger Corrêam o problema é não existirem “forças militares ativas para enfrentar um desafio sério”,o que levou Catarina Martins a acusá-lo de ter um plano “perigoso” para “armar população”.

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Houve finalmente concordância sobre o alargamento da UE, mas tudo acabou com uma nova discussão (bastante acirrada). No final, o debate foi sobre qual deles era o mais ambientalista.

[Já saiu o primeiro episódio de “Matar o Papa”, o novo podcast Plus do Observador que recua a 1982 para contar a história da tentativa de assassinato de João Paulo II em Fátima por um padre conservador espanhol. Ouça aqui.]

O próximo debate será na sexta-feira, dia 17, na TVI, e vai colocar frente a frente João Oliveira (CDU), Fidalgo Marques (PAN), Cotrim de Figueiredo (IL) e Francisco Paupério (Livre). Pode ver os dias e os canais de todos os debates aqui.

Quem ganhou o debate? Ao longo destes dias, um painel de avaliadores do Observador vai dar nota de 1 a 10 a cada um dos candidatos e explicar porquê. A soma surge a cada dia, no gráfico inicial onde pode ver a classificação geral e saber quem tem estado melhor e quem lidera.

Ana Sanlez — Pediram-me para avaliar um debate mas já passa das 22h00 e ainda estou à espera que comece. Foi um debate pouco “debatido”, apesar de Catarina Martins nos ter dado essa esperança nos primeiros minutos, ao desferir logo no início um golpe certeiro em Tânger Corrêa. De resto, cada candidato defendeu as suas posições, uns melhor, outros pior, uns com mais cartilha do partido (sim, Pedro Fidalgo Marques) outros com menos, sobre temas que interessam a todos os europeus como a imigração, a segurança da UE ou a transição energética. Notou-se a gritante, e natural, diferença de preparação de Catarina Martins em relação aos restantes candidatos. Segura, coerente, atirando ao “eurocinismo”, falou para o seu eleitorado sem espinhas. Já o candidato do Chega decidiu brindar os eleitores com mais uma “teoria”. Depois dos judeus nas Torres Gémeas, Tânger Corrêa citou uma “tese” segundo a qual o Japão não invadiu os Estados Unidos porque os cidadãos norte-americanos estavam bem armados. “Não sei, não estava lá”, acrescentou para amenizar (não conseguiu). E ainda ficámos a saber por Tânger Corrêa que a “extrema direita que são os neonazis e os neo fascistas que são marxistas”, seja lá o que isto quer dizer. Francisco Paupério esteve mais apagado do que no debate anterior, por vezes foi tão conciso nas respostas que parecia ter mesmo falta de conteúdo. Fidalgo Marques fez o que qualquer cidadão comum faria se lhe pedissem que estudasse o programa do PAN e respondesse a um teste a seguir.

Pedro Jorge Castro — Uma profissional e três amadores entram num debate. A profissional esmaga. E um dos derrotados perde a alcunha Ranger Corrêa. Fim da história. Com muita calma, quase em câmara lenta, Catarina Martins aviou socos em Tânger Corrêa. Com ainda mais calma, como se não lhe tivessem chamado irresponsável, incitador do ódio e defensor de uma política criminosa, Tânger ficou calado, a ajeitar a gravata — e seguramente a deixar André Ventura irado pela escolha que fez para encabeçar a lista do Chega nestas europeias, e a devolver socos no ar a imaginar todas as oportunidades desperdiçadas para desferir golpes numa adversária como a líder do Bloco. Paupério esteve um bocadinho mais eficaz do que Fidalgo a falar para as pessoas, mas já não surpreendeu tanto. Os candidatos do Livre e do PAN acabaram também metidos no bolso por Catarina Martins, com os seus próprios “euro-cinismos” — mas sem espinhas.

Miguel Pinheiro — O segundo debate das europeias deixou os espectadores entre o bocejo e o desespero. Pedro Fidalgo Marques, do PAN, informou-nos que, por causa do novo aeroporto em Alcochete, “daqui a uns anos, com a seca, as pessoas não têm água para beber”. Francisco Paupério, do Livre, declarou que “não tem de ser a União Europeia a dizer o que deve estar em cima da mesa, deve ser o povo ucraniano e deve ser o povo russo” — como se o “povo russo”, subjugado a uma ditadura impiedosa, pudesse “dizer” fosse o que fosse. E António Tânger Corrêa deixou cair que “se diz que o Japão não invadiu os EUA porque havia uma população armada” — informação que recolheu numa conhecida publicação de Facebook que já foi desmentida várias vezes por historiadores que estudaram o assunto. Resta Catarina Martins, obviamente mais experiente, que escapou a gaffes destas e tentou várias vezes provocar o confronto com o candidato do Chega — mas sem sucesso. O grande vencedor desta noite foi a abstenção.

Miguel Santos Carrapatoso — Sempre que chegam as campanhas eleitorais, um dos clássicos das maratonas de debates costuma ser o embate entre os representantes de partidos sem assento parlamentar, que, pela falta de experiência que têm, pela dificuldade em juntar mais do que duas palavras e/ou pelas propostas que defendem, produzem sempre momentos de grande bizarria. Ora, uma das coisas que se pode dizer sobre este segundo debate a quatro é que teve doses generosas de excentricidade. Desde o plano secreto do Japão para atacar os EUA que só foi travado porque Tóquio teve medo dos civis norte-americanos que estavam armados (Tânger Corrêa) até ao flagelo da “trituração dos pintos machos” (Pedro Fidalgo Marques), valeu um pouco de tudo. A segunda coisa que se pode dizer é que o discurso Miss Universo tem sérias limitações quando, para assuntos complexos (imigração, Ucrânia, alargamento da UE, transição verde), se exigem respostas complexas – e Francisco Paupério e Pedro Fidalgo Marques esforçaram-se muito por não dizer nada de substantivo sobre nada. Terceiro ponto: exige-se uma comissão de inquérito para perceber como e com que objetivo André Ventura escolheu António Tânger Corrêa. Deve haver uma conspiração qualquer em curso. Por fim, um comentário sobre Catarina Martins, aquela que tinha mais responsabilidades neste debate e de quem se esperava muito mais. Como era natural, mostrou maior preparação do que todos os outros juntos. Como era previsível, repetiu “extrema-direita” a cada oportunidade. Como era de supor, tentou bater no Livre para acabar com a concorrência à esquerda. Para grande estupefação, sugeriu demasiadas vezes que só não há paz na Europa porque a União Europeia desistiu de conversar com a Rússia e está “subordinada” ao imperialismo norte-americano. Vence o debate porque os outros foram muito maus. Mas, a continuar com este nível de argumentação, não resistirá seguramente a testes mais exigentes. Tudo muito mau.



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