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Imigração, “eurocinismo” e Rússia marcam debate em que pouco se debateu – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Mai 15, 2024

Com a imigração no centro do debate político para as eleições europeias e com o Chega a fazer do tema uma a prioridade da sua narrativa política, Tânger Corrêa quis começar por atenuar nas palavras ao dizer que “o problema não é a origem” dos imigrantes — uma questão que já foi levantada por vários dirigentes do partido, com André Ventura à cabeça — mas o facto de estas pessoas chegarem “sem o mínimo de escrutínio”. “Não somos, de todo, contra a imigração, e somos contra os incidentes no Porto ou com a criança nepalesa”, defendeu, justificando que “Portugal precisa de imigrantes” e realçando que é preciso que estas se integrem. Ainda assim, reiterou o que tem vindo a dizer por diversas vezes: “Portugal não está a cumprir os acordos de Schengen.”

Mesmo sem confronto de ideias (porque Tânger não respondeu) quando Catarina Martins, a mais rodada em debates, aproveitou as palavras do cabeça de lista do Chega para o acusar de ter fazer um discurso que “explica o que é a xenofobia e o discurso de ódio” e para concluir que “a extrema-direita é o maior problema de segurança na Europa”, negando a existência de uma “onda descontrolada” de imigração que o partido liderado por Ventura faz questão de dizer que é preciso combater.

A antiga coordenadora bloquista acusou o adversário de desvalorizar incidentes graves, de distinguir “imigração boa e má” e defendeu que as fronteiras portuguesas são vigiadas, justificando que o país está a receber “centenas de milhares de pessoas que têm descontos para a Segurança Social” e que “o país está a explorar”.

No mesmo comprimento de onda esteve Francisco Paupério, que afirmou que Portugal não tem as “portas escancaradas” e que “os imigrantes chegam com regras”, apontando a integração como o problema. Já sobre a necessidade de haver limitações nas entradas, o cabeça de lista do Livre às europeias considera que “se a pessoa cumprir os requisitos para entrar deve poder entrar”.

Também Pedro Fidalgo Marques, candidato do PAN a Bruxelas, acrescentou que o projeto europeu é de integração e que Portugal deve trabalhar mais as políticas neste sentido, nomeadamente através do ensino da língua portuguesa. Além disso, criticou o atual Pacto das Migrações, por abrir a porta a uma política racializada que pode chegar ao ponto de deter aleatoriamente e por cinco dias cidadãos europeus que, por algum motivo, se tenham esquecido da documentação.

O tema ainda levou Pedro Fidalgo Marques a interromper Tânger Corrêa — quando argumentava que, enquanto embaixador, já tinha estado em vários campos de concentração e que as pessoas que estão a viver em tendas junto à Igreja dos Anjos, em Lisboa, vivem pior — para dizer que é de uma “tremenda desumanidade” dizer que essas pessoas vivem melhor.

Quanto ao alargamento, Catarina Martins foi a mais cética, argumentando que é preciso encarar de frente o “problema das políticas de coesão, vamos ter mais desigualdades na Europa”. A cabeça de lista do Bloco de Esquerda às europeias defendeu que é preciso rever a estrutura da União Europeia. “Os tratados são impossíveis de utilizar e há necessidade de mudar.”

PAN e Livre, mais alinhados, defenderam um alargamento da União Europeia. Francisco Paupério começou por reconhecer que Portugal pode vir a ser um dos países “penalizados com o alargamento”, mas não deixou de realçar que a missão da UE é contribuir para a “coesão e criar estabilidade europeia”, pelo que é importante “expandir o projeto de paz”.

Ainda assim, e independentemente da guerra na Ucrânia, o candidato do Livre entende que todos os candidatos devem respeitar os critérios estabelecidos e que os processos não podem ser acelerados “por questões geopolíticas”. Pedro Fidalgo Marques, cabeça de lista do PAN, acredita que não devemos “encarar um alargamento da UE como um problema”. “O fim da UE é quando nos fecharmos como nós próprios”, sugeriu. Apesar disso, alertou para “a necessidade de uma reorganização” quando e se esses países entrarem.

Por sua vez, Tânger Corrêa não recusou um alargamento e disse estar de acordo que cada partido dite a velocidade da sua adesão à UE: “Ou estas coisas andam porque os países querem, ou não andam e não vale a pena empurrar”. No final das contas, o segundo debate televisivo mal aqueceu e, ainda assim, o Chega ficou isolado no meio de um frente a frente que mais pareceu uma disputa branda à esquerda.



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