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Projeto na Covilhã testa realidade virtual para dar formação a reclusos – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Mai 15, 2024

A Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, liderou um projeto europeu que recorre à realidade virtual para facilitar a formação profissional dos reclusos nos estabelecimentos prisionais.

O Vision (Visualising the Future Through Training) criou três plataformas digitais e seis cenários para facilitar e tornar mais atrativa a formação dos reclusos, com o objetivo de ajudar na sua reinserção profissional.

O investigador principal do projeto, Bruno Silva, professor do Departamento de Informática, explicou que o que se pretendeu foi, embora em ambiente virtual, tornar a experiência o mais imersiva possível e permitir aos reclusos frequentarem cursos práticos com recurso a essas ferramentas.

Uma das características do programa, que envolve parceiros de Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia e Roménia, é recomendar estratégias adaptadas ao perfil de cada preso.

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Bruno Silva salientou que nos Estados Unidos existem plataformas digitais com o mesmo propósito, mas acrescentou que no Vision a introdução da realidade virtual em contexto de formação é “a parte inovadora”.

“O projeto Vision e os seus resultados já foram diferenciadores e tiveram impacto na vida dos reclusos e formadores”, disse o investigador, em declarações à agência Lusa.

A investigação, no âmbito do programa Erasmus +, terminou no final de abril e o professor na UBI, no distrito de Castelo Branco, realçou que “todos os parceiros internacionais realizaram pilotos reais com reclusos” e manifestou-se satisfeito com os resultados.

Em Portugal, a fase de testes envolveu o Centro Protocolar de Formação Profissional para o Setor da Justiça de Alcoentre.

“As nossas expectativas sobre a receção da tecnologia virtual foram largamente ultrapassadas”, avaliou o investigador, em declarações à agência Lusa.

Embora tenha referido que os projetos criados no ambiente do Erasmus + não visem necessariamente a transferência tecnológica, por terem como missão principal aproximar comunidades, investigadores e países, espera que a ferramenta criada possa ser comercializada e aplicada em situações reais.

Bruno Silva alertou que as estatísticas demonstram que a maioria dos reclusos tem baixos níveis de escolaridade, falta de competências profissionais, falta de motivação e que os programas de educação reduzem o risco de reincidência e aumentam as possibilidades de conseguir emprego após o cumprimento da pena.

No caso do Vision, utilizando equipamento e recursos pedagógicos que introduzem a realidade virtual, permitindo uma formação dentro do estabelecimento prisional que simula um ambiente mais próximo da prática, aumenta o leque de oferta, frisou o investigador principal.



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