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Vitória, derrota e mínimos olímpicos. Quais são as metas dos candidatos às Europeias? – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Jun 1, 2024


A reta final das campanhas é feita ao sprint e as últimas legislativas quase necessitavam de um recurso ao photo finish para definir o vencedor. De tal forma, que as Europeias podem trazer uma desforra dessa eleição. Há dois partidos que têm como meta obrigatória vencer: PS e PSD. E, além desse mínimo olímpico, têm uma meta mais ambiciosa: vencer confortavelmente. Com uma vitória mais folgada de Sebastião Bugalho, Luís Montenegro podia ver legitimada a sua governação e ganhar força para levar a legislatura mais longe. Com uma vitória mais larga de Marta Temido, Pedro Nuno Santos podia classificar as legislativas como um erro de percurso e iniciar o processo de desgaste e, quem sabe, de queda do Governo.

O Chega de André Ventura não desiste também de apontar a recordes e volta a assumir que é candidato a vencer a eleição, sendo que já seria um resultado de dimensões épicas ficar em segundo lugar. Seria, no entanto, uma derrota quase humilhante ficar atrás de João Cotrim Figueiredo. O liberal sabe que é difícil, mas não impossível ultrapassar o Chega. Sabe também que seria uma derrota estrondosa não ser eleito eurodeputado.

À esquerda o Bloco luta por manter dois eurodeputados, mas sabe, mesmo que não o assuma, que manter a representação numa altura em que o país virou à direita já era um bom resultado. Depois do resultado das legislativas e as posições pouco populares sobre a Ucrânia (para não falar do euro), João Oliveira também pode dizer que o PCP venceu se conseguir um bilhete para Bruxelas. O Livre tenta intrometer-se nesta luta à esquerda para seguir a trajetória de crescimento das legislativas. Continuando a metáfora no atletismo, é caso para dizer que, nesta corrida de estafeta, Rui Tavares não passou o testemunho a Francisco Paupérioo. O PAN já sabe o que é eleger para o Parlamento Europeu, mas, depois da quebra dos últimos anos, seria ainda mais surpreendente do que em 2019 conseguir eleger um eurodeputado.

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O pior pesadelo para um primeiro-ministro que governa há pouco mais de um mês, em condições periclitantes e já novamente na estrada eleitoral é que uma nova chamada às urnas possa deitar tudo a perder. E Luís Montenegro tem muito a perder. Em poucos meses passou de forma inesperada de líder da oposição a primeiro-ministro, aliás, de líder da oposição que podia cair nestas mesmas Europeias se tivesse um resultado “poucochinho”, a líder de um Governo da AD. A ironia fina é que estas Europeias não deixaram de ser decisivas para Montenegro, só que uma queda do topo do Governo seria mais estrondosa e não está fora de hipótese.

As sondagens até aqui repetem o empate de 10 de março e algumas colocam mesmo o PS à frente, um cenário que seria uma derrota para Montenegro. Mais ainda se fosse agravada por um novo assalto do Chega ao eleitorado da direita tradicional, aproximando-se de forma inquestionável da AD. Sobretudo porque essa notícia cairia num Parlamento nacional ao rubro e com o Orçamento do Estado para 2025 em preparação sem certeza de ser aprovado. Se o PS e o Chega sentissem embalo nestas Europeias, o que tem parecido provável, poderia passar a inevitável. O Orçamento dificilmente teria salvação e o Governo de Montenegro igualmente. Para complicar as contas, ainda apostou num cabeça de lista arriscado que, se fizer má figura, não pagará só em nome próprio. Sebastião Bugalho é uma escolha direta de Montenegro e o que lhe acontecer, acontecerá sempre ao líder.

Não será muito melhor do que este quadro não conseguir destacar-se em relação às últimas legislativas, em que acabou com apenas mais cerca de 50 mil votos do que o PS e com menos deputados na bancada do PSD do que na bancada socialista. O suficiente para formar Governo, mas condições difíceis para o manter e estas Europeias podem bem deixar tudo no mesmo empate. Não é pior, certo, mas também não melhora a vida difícil do Executivo de Luís Montenegro que tem levado o barco por águas muito turbulentas: entre as medidas de intervenção rápida com que avança para mostrar trabalho e um Parlamento hostil, em que PS e Chega têm conseguido aprovar projetos contra a sua vontade. A repetição do que aconteceu nas legislativas podia não fazer rolar cabeças e até poderia ser usada pelos sociais-democratas como um balão de oxigénio, confirmando a vantagem da direita tradicional que veio das últimas eleições. Mas também não permitia respirar de alívio — e ainda menos porque manteria alta a sombra da direita populista. Há também a meta do próprio candidato, Sebastião Bugalho, que disse que queria ter 29%, “um ponto a mais que a idade [28]”.

O cenário de sonho seria destacar-se à direita e também perante o PS, passando para a frente sem sombras. A reação de Luís Montenegro aos resultados eleitorais na Madeira este domingo mostram bem a urgência em agarrar-se a qualquer tábua para nadar até a margem de uma estabilidade governativa. O PSD perdeu votos e deputados, mas ficou à frente e, por isso, o discurso foi quase totalmente voltado para os líderes nacionais de PS e Chega, para que assumissem a derrota e aceitassem o lugar na oposição. Qualquer sinal será igualmente aproveitado na noite de 9 de junho, mas a ficar à frente, o PSD de Montenegro só poderá cantar vitória total se conseguir fazê-lo de forma destacada. E tanto em relação ao PS como ao Chega. Essa vantagem permitira aplacar eventuais vertigens — no PS e não só — de precipitar eleições no breve prazo. Não esquecer que uma vitória muito destacada nesta eleição e com um cabeça de lista com indisfarçável ambição política (e quem sabe de liderança partidária) podia trazer outras questões, mais ao nível interno, mas isto já seria a longo prazo e com a cola do poder a funcionar nos entretantos.

A fasquia que o PS impõe a si próprio não é segredo nenhum e foi anunciada pelo próprio líder socialista, Pedro Nuno Santos, na apresentação do manifesto eleitoral do partido: “Vamos ganhar na Europa para logo a seguir ganhar Portugal“. Ou seja, o objetivo passa mesmo por ganhar, mas já de olho no que essa eventual vitória pode significar para o reforço do PS a nível nacional — o que significa que esta fasquia é ainda mais ambiciosa, e arriscada, do que parece à primeira vista.

Nas últimas eleições europeias, em 2019, os socialistas conquistaram uma vitória clara, com 33,4% dos votos e nove eurodeputados, mais três do que o PSD (que agora concorre coligado com o CDS). Desta vez, nos corredores do partido comenta-se que um resultado mínimo, que não envergonharia e daria argumentos ao partido para se continuar a posicionar como alternativa forte ao PSD, passa por manter esses números ou mesmo “ganhar por um” ao PSD. O que importa é vencer e confirmar a ideia de um PS vitaminado, sendo que o “mínimo olímpico” do PS já seria em si uma boa vitória — manter nove eurodeputados em 21 já é um resultado ambicioso, que pode ser facilitado pela fragmentação partidária à direita.

Ainda assim, arriscar fasquias mais concretas do que essas é perigoso, como reconheceu Marta Temido logo no primeiro dia de campanha — depois de sugerir, numa conversa mais descontraída, que “dez” é um bom número (a candidata estava ao balcão de um café a pedir dez cafés, os jornalistas meteram conversa sobre fasquias eleitorais), Temido corrigiu o tiro e quis frisar que não há um número mágico isolado: “Seria pôr-me fora de pé”. O que importa, frisou, é ganhar estas eleições, com o “melhor número de eurodeputados possível”.

A conclusão óbvia é que ficar atrás do PSD mesmo que seja por pouco, depois de ter ganhado por 12 pontos percentuais em 2019, é o cenário negro que o PS quer evitar. Por um lado, porque perde força na Europa; mas por outro, e mais importante do que isso, perde a segunda volta nacional em que quer transformar estas eleições, numa tentativa de ganhar uma espécie de legitimição que não obteve graças a uma curta diferença para o PSD nas legislativas de março. Sendo o PS o primeiro promotor de que estas eleições europeias tenham leituras nacionais, é particularmente importante vencê-las. Pedro Nuno Santos está apostado nisso, ou não tivesse optado por escolher uma cabeça de lista tendo em consideração a sua notoriedade e aparente popularidade, e por marcar uma presença “intensa e permanente” na campanha.

No dia em que André Ventura apresentou oficialmente o nome de António Tânger Corrêa às eleições europeias ainda ecoavam os gritos de vitória de uma noite eleitoral histórica em que o Chega alcançou 50 deputados. Mais: o partido foi o mais votado em todo o círculo da emigração e alcançou mesmo o primeiro lugar no círculo da Europa. Foi o único que conquistou um deputado em cada um desses círculos e isso ajudou a aumentar a fasquia: “Vamos a estas eleições europeias para vencer.” A verdade é que a essa hora os ânimos ainda estavam quentes e o cumprir deste objetivo seria uma vitória épica para o Chega.

Depois de um resultado que definiu como o “acabar do bipartidarismo”, André Ventura viu-se a nadar na piscina dos grandes, a lutar diretamente com PS e PSD e aproveitou o embalo de umas legislativas antecipadas para ir às europeias como se de uma segunda ronda se tratasse — assumindo até que estas serão também um “barómetro” para umas possíveis legislativas antecipadas. O problema do Chega está exatamente no facto de estas não serem umas legislativas e de André Ventura não ser o candidato.

As intervenções, entrevistas e debates em que Tânger Corrêa tem participado têm arrastado o partido para uma zona de desconforto que é uma novidade: o rosto das eleições sempre foi Ventura, o orador sempre foi Ventura, o protagonista sempre foi Ventura — e isso é o normal para o Chega (e o que permitiu ao partido estar como terceira política) e mesmo dentro do partido não há pudores em assumi-lo. Agora que Ventura deu lugar a Tânger as contas complicam-se, desde logo porque o antigo embaixador não tem aplicado filtro nas opiniões e tem sido muitas vezes notícia devido às suas visões. Portanto, Ventura vai tentar colmatar o facto de não ser o protagonista com uma presença constante em toda a campanha, sempre ao lado de Tânger Corrêa e não vai deixar de falar ou de reagir sempre que necessário. No final, se o Chega for arrastado para fora do pódio, a cara da derrota será sempre a de Tânger Corrêa, se o Chega vencer a vitória será de todos. Ou de Ventura não ter dado espaço.

Entre o épico e a derrota, o Chega luta por se manter como terceira força política e o mínimo olímpico será eleger um grupo de três ou quatro eurodeputados — ainda que Tânger já tenha apontado para os seis que lhe dariam uma vitória bastante confortável. Caso o consiga, o antigo embaixador não só leva consigo o ex-deputado do PSD Tiago Moreira de Sá, como também Francisco Almeida Leite, que integrou o governo de Pedro Passos Coelho para ser secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, e a ex-IL Mariana Nina — dando seguimento à pesca noutros partidos. Mais do que isso, em caso de vitória, o Chega prova que até sem Ventura é possível, mas dentro do partido ninguém tem dúvida que a esmagadora maioria dos votos se deve ao mesmo de sempre.

As últimas sondagens fizeram os liberais sonhar com uma perspetiva que não tinham seguramente antes destas eleições: ficar à frente ou pelo menos muito perto do Chega. Depois de umas legislativas que interromperam o ciclo de crescimento do partido — ficou com os mesmíssimos deputados que tinha –, fazer uma manifestação de força nestas europeias seria uma alavanca para o partido. A alternativa razoável, e que seria sempre vendida como uma excelente resultado seria a eleição de dois eurodeputados.

O objetivo mínimo a atingir nestas eleições é a eleição de João Cotrim Figueiredo. A aposta no antigo líder da Iniciativa Liberal demonstra bem o quão empenhados estão na oportunidade de conseguirem, pela primeira, representação no Parlamento Europeu. Os liberais sabem que concorrem com dois grandes adversários: a abstenção e Sebastião Bugalho. Se o primeiro é, em grande medida, incontrolável, o segundo, por representar um apelo ao voto jovem à direita, tem sido um alvo particular de Cotrim nesta pré-campanha eleitoral.

Por tudo isto, se João Cotrim Figueiredo falhar a eleição, será inequivocamente uma péssima notícia para os liberais. O resultado agridoce nas legislativas — manter o grupo parlamentar num contexto de forte apelo ao voto útil — foi sendo justificado, em parte, com o pouco tempo que Rui Rocha teve para se afirmar na liderança do partido. Cotrim não tem esse handicap. Qualquer mau resultado, será sintoma de uma quebra estrutural do partido.

Nas últimas Europeias, em maio de 2019, ainda durante o Governo da “geringonça”, o Bloco de Esquerda foi a terceira força política mais votada e, com 9,8% dos votos, conseguiu eleger dois eurodeputados — Marisa Matias e José Gusmão. Cinco anos depois, o cenário está longe de ser semelhante. O panorama político nacional mudou não só com a troca de Governo, mas também com o espaço da esquerda a ver novos atores ganharem relevância, com destaque para o Livre, e com a grande queda do Bloco de Esquerda na Assembleia da República. Um dia antes do arranque da campanha eleitoral, o Bloco de Esquerda foi um dos grandes derrotados das eleições da Madeira, perdendo a representação no parlamento regional, mas o partido tentou desvalorizar o impacto dessa derrota na corrida ao Parlamento Europeu. Por outro lado, as sondagens mais recentes também não são especialmente simpáticas para as ambições europeias do partido, que leva a ex-coordenadora Catarina Martins como cabeça-de-lista.

Esta segunda-feira, na Feira de Espinho, na primeira ação do período oficial de campanha, Catarina Martins foi questionada pelos jornalistas sobre a meta concreta do partido para estas eleições, mas recusou apontar o número de deputados que o Bloco pretende eleger. Disse apenas que quer “um resultado forte”, que permita que exista, no Parlamento Europeu, uma esquerda capaz de “contraria um projeto de extrema-direita que ataca a liberdade das mulheres e os direitos de toda a gente”. Todavia, no início de maio, numa entrevista ao podcast “Perguntar Não Ofende”, de Daniel Oliveira, Catarina Martins tinha sido mais explícita quanto à fasquia que coloca para estas eleições: “Manter os dois eurodeputados. Aliás, o Bloco de Esquerda é a única força de esquerda que está a disputar isso mesmo: poder ter dois eurodeputados.”

Esse cenário ideal, porém, antecipa-se bastante difícil — pelo menos, a julgar pelas muitas sondagens que têm sido divulgadas nos últimos dias. Sondagens de várias empresas, divulgadas por diferentes meios de comunicação, colocam o Bloco de Esquerda em torno dos 5% de intenções de voto e com capacidade para eleger apenas um eurodeputado. O terceiro lugar de 2019 também é uma miragem para o Bloco, que surge em vários estudos de opinião em quinto lugar. O cenário mais realista neste momento será, por isso, a ida de Catarina Martins para Bruxelas, mas sem companhia.

Mas a campanha do Bloco de Esquerda para as europeias pode sofrer também com o Livre, o único partido à esquerda que cresceu nas últimas legislativas e que tem vindo a ocupar um espaço considerável entre o eleitorado de esquerda. Basta lembrar que, atualmente, o Bloco tem cinco deputados no Parlamento e o Livre tem quatro. O partido, fundado por Rui Tavares (o antigo eurodeputado foi eleito pelo Bloco de Esquerda e rompeu com os bloquistas), também surge na maioria das sondagens com intenções de voto que rondam os 5% e que apontam para a possibilidade de eleição de um eurodeputado. Em pelo menos uma sondagem — feita pela Universidade Católica para RTP e Público —, o Livre surge mesmo à frente do Bloco de Esquerda, o que, a confirmar-se, representaria uma derrota total para os bloquistas. Num dos debates televisivos a quatro na pré-campanha, Bloco e Livre envolveram-se mesmo num confronto sobre quem é realmente de esquerda, em que Catarina Martins desafiou o cabeça-de-lista do Livre, Francisco Paupério, a retirar o partido dos Verdes Europeus (a que o Livre está filiado, juntamente com o PAN) e a colocar-se “verdadeiramente na esquerda”, ou seja no Partido da Esquerda Europeia. Uma oferta que o candidato do Livre rejeitou.

Primeiro nas eleições para os Açores, depois nas legislativas e, mais recentemente, na Madeira. A CDU tem somado derrotas no ano de 2024, sendo que não conseguiu eleger um único deputado em nenhum dos arquipélagos e acabou por perder dois assentos na Assembleia da República. Por isso mesmo, as eleições europeias que se avizinham são um teste de fogo para a liderança de Paulo Raimundo, que vai querer evitar o terceiro nulo em quatro tentativas desde fevereiro.

Eleger João Oliveira é, por isso, o objetivo mínimo, que ajuda também a abafar a narrativa de desaparecimento progressivo do partido. O cabeça-de-lista comunista tem sido ambíguo em relação a objetivos concretos para o dia 9 de junho. Esta segunda-feira, no arranque da campanha, numa arruada na Amadora, o candidato referiu apenas a intenção de “reforçar a CDU do ponto de vista eleitoral”, não especificando se se estava a referir à representação da coligação em Bruxelas. “Não me arrisco a pôr fora de pé, a falar sobre isso”, explicou, antes de recusar qualquer extrapolação de resultados regionais para as europeias. Por estas razões, a meta mais realista é a eleição de um deputado. Mesmo que signifique a perda de um mandato, a resistência ao desaparecimento também na Europa pode ser um alívio para o partido.

A CDU tem sofrido com a emergência dos novos partidos. À direita, o aparecimento do Chega tem tirado fôlego à coligação composta por PCP e PEV, particularmente no Alentejo. Por outro lado, a entrada em campo do Livre tem-se revelado um desafio na distribuição de votos à esquerda. Nas eleições legislativas do passado mês de março, a diferença entre a CDU e o partido de Rui Tavares fixou-se em menos de mil votos. Francisco Paupério vai-se perfilando, por isso, como um adversário a ter em conta na corrida ao Parlamento Europeu, a que se junta, claro, Catarina Martins. Em 2019, o Bloco conseguiu 2 mandatos em Bruxelas, os mesmos que os comunistas. Se João Oliveira, cara conhecida do PCP e aposta forte para estas eleições, conseguir ultrapassar a antiga coordenadora bloquista nas urnas, haverá certamente motivos para festejar. Para o cabeça-de-lista, por conseguir manter (ou aumentar) a representação na Europa, e para Paulo Raimundo, por conseguir reverter a maré de maus resultados eleitorais que tem marcado os últimos meses.

Francisco Paupério tem estado muito desacompanhado na campanha, com Rui Tavares, que até já foi eurodeputado, a optar por não ser presença assídua na campanha. O candidato do Livre foi o único que se submeteu a primárias para chegar à condição de candidato e enfrentou resistência de parte da cúpula do partido, incluindo o seu principal rosto, Rui Tavares. Passada a etapa, Paupério tem em comum com Rui Tavares ter tido um desempenho nos debates elogiado, principalmente em comparação com que o que eram as expectativas.

Eleger não é fácil e a prova disso é que ter representação seria uma estreia para o Livre. Quando Rui Tavares foi eleito em 2009, era independente nas listas do Bloco de Esquerda, numa relação que acabaria por correr mal, com o então eurodeputado a tornar-se não inscrito. Se Francisco Paupério for eleito pode cantar vitória (e até tornar-se numa espécie líder dos não-alinhados com a direção), mas se não for eleito sofre uma derrota estrondosa — que, nesse caso, belisca menos Tavares, que firmou distâncias para o candidato do Livre.

Paupério decidiu, no entanto, atirar para cima quanto a metas na Congresso do Livre da Costa da Caparica: “Somos o partido das utopias, mas esta é uma realidade. Nós todos — todas e todos juntos — da Costa de Caparica até Bruxelas, vamos conseguir uma delegação do LIVRE na Europa”. Ou seja: defendeu que consegue eleger dois eurodeputados. Ora, essa seria uma vitória épica. Ser o partido mais votado à esquerda, ultrapassando o BE e CDU, também seria uma página dourada dessa epopeia verde e papoila.

O PAN elegeu um eurodeputado nas últimas eleições. Mas o PAN não tem qualquer eurodeputado. O partido foi vítima da passagem de Francisco Guerreiro a deputado não-inscrito após uma guerra interna que fez baixas nos dois parlamentos: nacional e europeu. O PAN está em quebra eleitoral e, mesmo Sousa Real, a figura maior do partido animalista desde a saída de André Silva, só conseguiu garantir a sua eleição nas legislativas de há dois meses.

Além disso eleger um eurodeputado (de 21) é muito mais difícil que eleger um deputado (de 230 O partido é, por isso, menos ambicioso do que o Livre e assume como objetivo eleitoral eleger apenas um eurodeputado. A reeleição na Madeira, mesmo num contexto difícil, dá esperanças ao PAN, mas as eleições são completamente diferentes.

O desempenho de Pedro Fidalgo Marques (por exemplo, em comparação com o outro desconhecido de um pequeno partido de esquerda, Francisco Paupério) não deu razões ao PAN para aumentar a ambição. Ainda assim, o partido acredita numa surpresa, como aconteceu em 2019. Pelo sim, pelo não, Fidalgo Marques já deu uma garantia pública de que, se se desentender com o partido, abandona o lugar de eurodeputado — ou seja, o contrário do que fez Francisco Guerreiro.



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