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Cabeças há muitas. Em defesa da honra das avestruzes – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Jun 9, 2024

O Presidente disse que não votar equivale a meter cabeça na areia. Lamento informar mas nesta matéria, a das cabeças, há muito mais a ter em conta. Senão vejamos:

Atirarmo-nos de cabeça. Impulso irresistível que afecta os portugueses de cada vez que ouvem a expressão “o governo dá…”

Cabeça à roda. Um fenómenos facílimo de observar entre todos aqueles que tentam perceber o que distingue os diferentes escalões de IRS nas propostas do Governo e da oposição.

Cabeça de vento. É a versão intelectual da transição energética: uma maravilha maravilhosa que não se sabe onde levará mas que a cabeça de vento apregoa. Aos quatros ventos como não pode deixar de ser.

Cabeça no ar. Mais ou menos o mesmo que a cabeça de vento mas sem a vertente da transição para as energias alternativas. É só uma cabeça parva e pronto.

Cabeça de burro. No tempo em que os animais falavam, os humanos tornavam-se burros por castigo. Agora que alguns partidos dizem que falam pelos animais (e os demais fazem de conta que acreditam) aguardo notícias do capital de ofensa dos burros pela imagem que demos deles. E já agora também das avestruzes.

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Cabeça à razão de juros. Da dívida pública e das pessoais, A mais portuguesa das cabeças.

Cabeça rija. Há quem garanta que a cabeça rija também é dura. Francamente não sei. Mas que las hay, las hay.

Cada cabeça sua sentença. Vai acontecer já daqui a pouco quando houver que explicar o resultado das eleições europeias. Pessoalmente adoro o “cada cabeça sua sentença” embora ache ainda mais graça às cabeças com duas e três sentenças, que usam a gosto com quem polvilha com salsa o bacalhau à Brás,

Comer as papas na cabeça. Comer papas na cabeça é  viciante. Quanto mais papas se comem na cabeça dos outros mais se acredita que esse é um direito adquirido.

Dar cabo da cabeça. Exercício indissociável do vitimismo. Na falta de melhor argumento arma-se um banzé e dá-se cabo da cabeça dos outros. Podem perguntar à Climáximo que eles explicam isto melhor que eu.

Dar com a cabeça nas paredes. Em primeiro lugar não vale a pena. Em segundo não vale a pena. Em terceiro não culpem os candidatos. E deixem as paredes em paz.

De cabeça erguida. Resultado antecipado para os todos os partidos que participam nestas eleições. Garantidamente vão todos afirmar que saem de cabeça erguida. Não vai ser verdade.

Deitar as mãos à cabeça. Gesto de milhões de portugueses após cada surgimento da presidencial figura

Estar à cabeça de. Qual CEO, CAO, CAE… (nem imaginam as siglas que descobri na wikipedia para o pretérito e português director!) nada se compara com o “estar à cabeça de”. Politicamente falando Portugal prova que se pode ser uma antiquíssima nação apesar de volta e meia ter à sua cabeça quem está com a cabeça noutro sítio. Sim, estou a pensar em José Sócrates.

Fazer a cabeça em água. Tanto quanto se sabe nunca uma cabeça se transformou em água ou noutro líquido qualquer mas note-se que vários políticos ainda não desistiram de tentar este processo alquímico.

Levantar cabeça. Fenómeno em que os portugueses já acreditaram mais.

Meter na cabeça de uma vez por todas. Que ganhar um debate é conseguir que os eleitores dos candidatos antagonistas fiquem em casa e não necessariamente esmagar os adversários.

Não entra nada nessa cabeça. Pois não. Mas não posso dizer em quem estou a pensar porque a CNE não deixa.

Não estar com cabeça para. É a chamada cabeça selectiva. Numa campanha eleitoral vários candidatos além de não estarem com cabeça para responder ao que lhe perguntam também não estão com cabeça para explicar ao que vêm.

Não sair da cabeça. Da minha não sai o engenheiro Guterres. Eu sei que devia escrever: o resultados das eleições europeias mas não é verdade.

Passar pela cabeça. O que passará pela cabeça do engenheiro Guterres?

Passado da cabeça. O engenheiro Guterres.

Perder a cabeça. Acontece a todos e a todas. Mas eleitoralmente falando acontece a uns mais que outros e que a outras.

Pôr a cabeça no cepo. Há quem a tenha colocado nestas eleições. Não completamente mas um pouco.

Puxar pela cabeça. É uma falácia. Depois de assistir a vários dos debates destas europeias tenho a certeza que há gente que por mais que puxe pela cabeça nunca chega lá, entendendo-se por lá um pensamento minimamente coerente.

Quebrar a cabeça. A minha está quebrada, garanto, depois deste exercício. Para a próxima enterro-a na areia.

Rolar cabeças. Rola uma, rola duas… Daqui a umas horas falamos. Mas sempre acrescento que não acho que role alguma. Para já.

Sem pé nem cabeça. Algo que não faz sentido segundo a wikipedia que recua a Cícero e Catão para explicar o sentido desta frase. Nós não precisamos de ir tão longe basta-nos pensar no dia de reflexão e percebemos logo o significado de “sem pé nem cabeça”.



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