
David Dodge / Futuros de Energia Verde / Flickr
O objetivo é dar às famílias alguma autonomia na eventualidade de cortes de energia. O programa do Governo deverá ter um formato semelhante ao E-Lar.
O Governo quer que os painéis solares apoiados através de futuros sistemas de vouchers integrem baterias de armazenamentoapostando na mini-geração fotovoltaica como forma de reforçar a autonomia energética das famílias. A intenção foi anunciada pela ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, em conferência de imprensa.
Segundo a governante, o Executivo está a estudar um modelo de apoio direcionado para sistemas fotovoltaicos de pequena escala, associados a baterias, destinados a habitações unifamiliares e apartamentos. O objetivo é permitir que os consumidores disponham de um nível mínimo de autonomia energética em situações de interrupção do fornecimento da rede elétrica, com especial enfoque em zonas mais vulneráveis ou isoladas.
“Queremos ser flexíveis e não impor muitos limites“, explicou Maria da Graça Carvalho, citada pelo Jornal de Negócios.
O mecanismo em estudo deverá assentar num sistema de vouchers, semelhante a outros instrumentos já utilizados pelo Estado para incentivar investimentos energéticos no setor residencial, como o programa de substiuição de eletrodomésticos a gás E-Lar. Este formato permitiria uma aplicação rápida do apoio e um acesso mais direto por parte dos consumidores, reduzindo os prazos entre a candidatura e a instalação dos equipamentos.
O financiamento do programa ainda não está fechado. Entre as hipóteses em avaliação está a utilização de verbas remanescentes do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), embora o Governo não exclua outras fontes de financiamento que possam vir a ser consideradas.
A aposta na mini-geração com armazenamento reflete uma estratégia mais ampla de reforço da resiliência energética em Portugal. Recentemente, a Comissão Europeia publicou um relatório que aponta Portugal “como um exemplo na renovação energética e luta contra a pobreza energética”, com mais de 85 mil renovações energéticas em edifícios residenciais e o lançamento do Observatório Nacional da Pobreza Energética.
