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“Fascismo”. Nova-iorquinos na rua com -15ºC pedem impeachment de Trump (que admite falhas)



Shawn Thew/EPA

O presidente dos EUA, Donald Trump

Segundo mandato de Trump faz um ano, mas não foi celebrado em Nova Iorque. O apoio nas ruas dirigiu-se aos aliados da NATO e aos gronelandeses.

Centenas de nova-iorquinos manifestaram-se esta terça-feira em frente à Trump Tower, em Manhattan, contra aquilo que classificam como a “crescente ameaça fascista” no país e exigiram o impeachment do Presidente norte-americano.

No dia que se assinala um ano desde o regresso de Donald Trump à Casa Branca para um segundo mandato, dezenas de cartazes foram erguidos na Quinta Avenida de Manhattan com frases como “’Impeachment já’, “Quando é que isto acabará?”, “Abolição do ICE [agência federal de imigração e Alfândega] já!”, “Trump é diabólico”, “Estou com os nossos aliados da NATO” ou “A Gronelândia é dos gronelandeses”.

A multiplicidade de temas abordados nos cartazes exibidos pelos manifestantes espelha o ano turbulento e sem precedentes que Donald Trump promoveu, com o intuito de impor uma nova ordem internacional e de moldar a dinâmica interna norte-americana.

“Venho hoje aqui porque estou horrorizada com as monstruosidades que este Presidente tem feito. Eu já sou velha, mas estou preocupada com o futuro dos meus netos“, afirmou May, de 84 anos.

Questionada pela Lusa sobre o que mais a chocou neste regresso de Trump ao poder, a octogenária nova-iorquina apontou “o recuo de 50 anos nos direitos civis”, o “tratamento humilhante dado aos imigrantes que tanto contribuem para os Estados Unidos” e a tentativa de anexação da Gronelândia.

“Estamos tão longe do que devíamos ser enquanto país. Só espero que as pessoas acordem a tempo”, acrescentou May.

Apesar das baixas temperaturas que atingem a região, com a sensação térmica a rondar os 15 graus negativos em Nova Iorqueos manifestantes não arredaram pé durante cerca de uma hora. Depois disso, os mais idosos foram abandonando o protesto. “Hoje está muito frio, mas eu tinha de vir. Estou aterrorizada com o estado deste país. O que estão a fazer com os imigrantes é desumano“, afirmou, por sua vez, Marge, de 82 anos.

“A decisão de anexar a Gronelândia é chocante. Está a virar as costas aos nossos aliados”, criticou ainda.

Tom, de 30 anos, foi outro dos nova-iorquinos que se juntou ao protesto na Trump Tower contra o “fascismo crescente no país“o qual atribui diretamente a Donald Trump.

“Depois do primeiro mandato de Trump, achei que já nada me surpreendia, mas o ataque à Gronelândia é algo que não estava à espera“, admitiu o jovem.

Trump: “não estamos a conseguir passar a mensagem”

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lamentou que a sua mensagem económica não esteja a ter eco entre os norte-americanos, numa conferência de imprensa dedicada a destacar os seus feitos no primeiro ano do segundo mandato.

“Herdámos uma confusão. Os números que herdámos estavam em ascensão, e agora conseguimos reduzi-los, quase todos, consideravelmente”, declarou o Presidente norte-americano na Casa Branca, referindo-se em concreto à inflação.

Trump apresentou o que considera serem as suas conquistas durante uma conferência de imprensa que as agências internacionais descreveram como confusa, na qual criticou os seus assessores de comunicação por não conseguirem que a sua mensagem chegue aos norte-americanos.

“Quer dizer, não compreendo… Talvez a minha equipa de comunicação não seja muito boa, não estamos a conseguir passar a mensagem”admitiu, enquanto a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, se manteve impassível.

Ao longo de 80 minutos, num tom de voz invulgarmente baixo, Trump elencou os principais sucessos que reclama para a sua administração, insistindo que o país está a experimentar “uma inflação muito baixa“. O Produto Interno Bruto (PIB) no último trimestre de 2025, prosseguiu, “está a caminho de superar, talvez por uma larga margem, o crescimento de 5%”, uma previsão que deverá ser analisada como otimista.

Trump salientou também o efeito positivo das tarifas que implementou contra os parceiros dos Estados Unidos, observando que reduziram o défice comercial e obrigaram as empresas de outros países a investir em fábricas em território norte-americano.

“Vêm para aqui porque não podem pagar as tarifas”, comentou o líder da Casa Branca, que no último fim de semana ameaçou impor tarifas a oito países europeus que enviaram tropas para a Gronelândia e não apoiaram o seu plano de anexar o território autónomo dinamarquês.

O Presidente norte-americano começou o seu discurso na sala de imprensa da Casa Branca exibindo fotos de “assassinos desequilibrados” que disse terem sido detidos pelos serviços de imigração e alfândegas (ICE) e deportados, em particular de Minnesota, palco de protestos contra as ações daquela entidade federal. Minneapolis, a maior cidade do estado, vive num clima tenso desde que uma mulher norte-americana foi morta em 7 de janeiro por um agente do ICE.

Trump voltou a atacar o seu antecessor, Joe Biden, como o “pior presidente da história em matéria de imigração”, acusando-o de implementar uma política de fronteiras abertas, que disse já ter sido invertida.

“Ninguém entrou”, argumentou o político republicano, acrescentando não compreender as críticas às controversas operações contra imigrantes do ICE.

O Presidente norte-americano reiterou a sua ameaça contra as chamadas “cidades-santuário”, que limitam a cooperação com as autoridades federais de imigração e deixarão de receber financiamento de Washington a partir de 01 de fevereiro, caso não comecem a colaborar com o ICE e outras agências.

Na sua longa conferência de imprensa, Trump brincou ainda com a sua tentativa de designar o Golfo do México como Golfo da América após o seu regresso à Casa Branca há um ano.

“Eu ia chamar-lhe Golfo Trump, mas pensei que me matavam se o fizesse. Queria fazê-lo. (…) Golfo Trump soa bem de qualquer forma, talvez possamos fazer isso. Ainda vamos a tempo”, sugeriu.



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