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Podemos estar prestes a perder a praia de Matosinhos



ZAP

Praia de Matosinhos

Entre cerca de 370 praias, a de Matosinhos é a única que surge, para 2026, em risco de perder a identificação oficial como zona balnear.

A icónica praia de Matosinhos, provavelmente a praia mais lotada no Norte do país no verão, arrisca perder a identificação oficial como zona balnear, depois de ter registado uma classificação “má” na época balnear de 2025.

A situação em que se encontra a famosa praia é única no litoral marítimo de Portugal continental: entre cerca de 370 praias, Matosinhos é a única que emerge, até 2026, condicionada na Proposta de Lista de Águas Balneares colocada em consulta pública pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

De acordo com o documento, citado pelo Jornal de Notíciasa manutenção do estatuto de água balnear depende da apresentação, por parte da Câmara Municipal, de um programa de medidas dirigido às causas da poluição. Esse plano deverá ser acompanhado pela APA-Administração da Região Hidrográfica e carece ainda de parecer favorável da Autoridade Regional de Saúde.

O alerta surge após mais um verão de várias interdições e recomendações para evitar banhos no ano passado, associadas ao risco de contaminação por E. coli, indicador típico de poluição de origem fecal.

A autarquia garante estar a atuar. Aliás, este foi um dos temas mais recorrentes durante as várias campanhas na corrida à liderança da autarquia, nas últimas eleições.

A Câmara de Matosinhos afirma ter em execução um Programa de Medidas para a melhoria da qualidade da água balnear, centrado na identificação das fontes de poluição e na implementação de ações corretivas, atualmente em revisão e com acompanhamento permanente.

Entre as iniciativas apontadas estão a monitorização regular da água, intervenções nas ribeiras que desaguam no areal, ações de deteção e correção de ligações indevidas e estudos científicos para compreender melhor os fatores que condicionam a qualidade da água.

Já a oposição municipal discorda da leitura de que o problema está controlado.

Bruno Pereiravereador da AD, continua a considerar que a mera possibilidade de perder o estatuto constitui “uma péssima imagem” para o concelho e alerta para impactos económicos “catastróficos”, sobretudo na restauração, comércio e atividades ligadas ao mar como o surf, muito presente naquela praia.

O autarca defende que há muito deveriam estar no terreno soluções estruturais como a construção de um exutor submarino e uma SUFICIENTE na zona da ribeira da Riguinha, levantando ainda a hipótese de o aumento do paredão do Porto de Leixões estar a agravar o quadro de poluição.

Também o vereador do Chega, António Paradacritica a alegada falta de antecipação do executivo e sublinha que o exutor submarino tem sido inscrito em documentos de planeamento há anos.

Entre as causas identificadas em comunicações anteriores da autarquia destacam-se as ribeiras da Riguinha e de Carcavelos e a existência de centenas (cerca de 900) ligações ilegais. E um “invasão” de gaivotascom uma população que pode ultrapassar quatro mil aves, não ajuda — no verão passado, para afastar bandos de gaivotas, foram contratadas duas águiascom sobrevoos regulares em horários definidos.

Continua em equação um projeto de desvio das águas das ribeiras, com base num estudo da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, que prevê a construção de um canal para conduzir as descargas a cerca de 600 metros mar adentro.





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