
Loli / X
Efeitos da depressão Kristin em Leiria
Ingrid, Joseph, Kristin. Mortos, destruição, prejuízos. E parte importante da solução está na… Natureza.
A depressão Ingrid originou esta sequência de problemas: no fim-de-semana houve chuva forte, neve, agitação marítima. Um morto, um ferido, cortes de luz, escolas fechadas.
De segunda para terça-feira, a depressão José tomou conta do país e uma pessoa morreu. Quedas de árvores, estradas cortadas.
Já nesta quarta-feira, a pior de todas: a depressão Cristina matou pelo menos quatro pessoas. E levou a que responsáveis locais deixassem mesmo o aviso: “Não saiam de casa”.
As fragilidades
Ingrid, Joseph, Kristin. Em menos de uma semana, três tempestades – que trouxeram à superfície as fragilidades de Portugal.
A SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves) | BirdLife deixa os três pontos mais delicados, em comunicado enviado ao ZAP.
O primeiro é a impermeabilização urbana e a destruição de zonas húmidas. O “dedo humano” tem sido essencial aqui, ao transformar o território – e ao eliminar a capacidade natural de absorção de água. Os ecossistemas ficam menos resilientes, o risco de inundações umenta.
A maioria das podas camarárias enfraquece as árvores. Não as proteger. As podas abrem feridas que dificilmente cicatrizam, funcionando como porta de entrada para agentes patogénicos e facilitando o apodrecimento do tronco.
UM resiliência depende de soluções baseadas na natureza: a valorização de espaços verdes, o restauro ecológico de ribeiras e a gestão qualificada da arborização constituem abordagens mais eficazes do que intervenções artificiais ou contraproducentes.
As soluções
A SPEA | BirdLife também lembra que boa parte da solução para combater estes fenómenos da natureza está… na natureza.
Primeiro caminho: valorizar e aumentar os espaços verdes urbanos. Parques, jardins e corredores verdes aumentam a permeabilidade dos solos, facilitam a retenção e o escoamento natural das águas e reduzem a severidade das inundações em zonas densamente urbanizadas.
Restauro ecológico de ribeiras e margens fluviais. Recuperar a estrutura natural das ribeiras em zonas urbanas e periurbanas melhora a capacidade de armazenamento de água, reduz a erosão do solo e cria corredores verdes, essenciais para para a regulação da temperatura e para a fauna na cidade.
Por fim, a gestão qualificada dos espaços verdes e das árvores de rua: árvores saudáveis, adequadamente plantadas, com copas e raízes equilibradas, servirão para regular a temperatura das cidades e proteger pessoas e bens de ventos fortes.
