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Elefantes são uns parvalhões com bananas. Destroem-nas (mas não é vandalismo)



Gigantes estão a enfurecer agricultores no Gabão, mas não o fazem por mal: podem estar à procura de “medicamentos”, não de comida.

Agricultores do Gabão estão cada vez mais enfurecidos, e a culpa é dos elefantes, que lhes estragam as bananas todas. Entre as culturas mais afetadas recentemente está também a papaia. O padrão de destruição é estranho: os animais consomem os caules, folhas e hastes, e o fruto fica para trásesmagado no chão.

À primeira vista, parece puro vandalismo. O problema é recorrente e completamente devastador, descreve uma recente investigação publicada na Ecological Solutions and Evidence, que aponta, no entanto, para uma justificação que não envolve qualquer maldade por parte do animal.

Estes ataques às culturas podem estar ligados a automedicação: os elefantes podem estar a procurar plantas com propriedades antiparasitárias para aliviar problemas de saúde.

A equipa, liderada pelo cientista de conservação Steve eu pareitrabalhou de perto com agricultores perto do Parque Nacional de Monts de Cristal, no norte do Gabão. Após várias incursões às plantações, os investigadores seguiram os animais e recolheram amostras para análise. No total, foram examinadas cerca de 90 amostras de fezes para depois se avaliar a presença de parasitas gastrointestinais e cruzar esses dados com o tipo de plantas consumidas durante as invasões.

Encontrou-se assim uma associação: elefantes infetados com parasitas no trato gastrointestinal apresentavam maior probabilidade de se focarem precisamente em bananeiras e plantas de papaia. Segundo o estudo, os indivíduos com parasitas eram cerca de 16% mais propensos a comer folhas de bananeira e 25% mais propensos a mordiscar papaieirascomparativamente a elefantes sem infeção.

Ora, estas plantas são conhecidas por conterem compostos com potencial ação antiparasitária.

UM biográfico lembra que este tipo de automedicação não é inédito no reino animal: há registos semelhantes em chimpanzés — que usam “papel higiénico” — e mesmo em animais domésticos, que recorrem a determinadas plantas quando estão doentes.

O que torna o caso gabonês especialmente sensível é o impacto económico e social: as incursões podem comprometer o sustento de famílias inteiras e, por vezes, levam agricultores a pedir a intervenção de autoridades do parque ou até a recorrer a caçadores furtivos.

Uma hipótese apresentada pela nova investigação é disponibilizar alternativas que ajudem a reduzir a necessidade dos elefantes de procurar plantas medicinais nas explorações agrícolas.



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