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Paulo Portas e a ressurreição de Richard Nixon – Observador Feijoada

ByEdgar Guerreiro

Set 2, 2023

Um dos mais extraordinários exercícios de ressurreição política da História foi pensado, planeado e executado por Richard Nixon nos anos 60. Em 1952, com apenas 39 anos, o que fazia dele um prodígio, entrou sem cerimónias na Casa Branca e sentou-se pesadamente numa cadeira como vice-Presidente de Eisenhower. Ao fim de oito anos de serviço fiel, candidatou-se a Presidente em 1960, mas perdeu por pouco para Kennedy, supostamente por aparecer cansado, suado e não barbeado no debate decisivo da campanha (o trauma foi tão profundo que, no futuro, houve dias em que Nixon chegou a fazer a barba três vezes em poucas horas).

Mas a maior humilhação não foi esta. Dois anos depois, contrariado e diminuído, concorreu a governador da Califórnia, só para manter o seu oxigénio político a correr. Perdeu. No dia seguinte à derrota, julgando-se injustiçado e perseguido, deu uma conferência de imprensa fumegante que acabou com uma frase furibunda dirigida à imprensa: “Já não vão poder dar mais pontapés ao Nixon porque, meus senhores, esta é a minha última conferência de imprensa”.

Tudo indicava que, como tantas vezes acontece na vida, fosse uma decisão irrevogável. Mas, logo que os microfones se desligaram, Nixon começou a pensar na sua ressurreição. Aceitou um convite de um escritório de advogados, mas confessou a um assessor que não planeava arrastar-se pelos tribunais: “Se eu só fizesse isto e mais nada, estaria psicologicamente morto em dois anos e fisicamente morto em quatro”.

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