
RUI MINDERICO/LUSA
O candidato a presidente da Republica António José Seguro
“Pertencendo todos os signatários ao campo não-socialista, entendemos que André Ventura não nos representa”. Carta continua a recolher apoios online e já conta com mais de 4700 assinaturas.
Mais de duas centenas de figuras da área política “não-socialista” lançaram este sábado uma carta aberta de apoio a António José Seguro, elogiando-o pela moderação e sublinhando que André Ventura não os representa.
Na carta intitulada “Não-socialistas por Seguro”250 personalidades lembram que, apesar de também haver uma segunda volta, as eleições deste ano “não podiam ser mais diferentes” das de 1986, uma vez que não estão frente a frente um candidato de centro-esquerda e outro de centro-direita, mas sim um nome de centro-direita e outro das “direitas radicais”.
Entre os signatários constam nomes como o do advogado Adolfo Mesquita Nunes, os antigos ministros António Capucho, Miguel Poiares Maduro e Arlindo Cunha, a antiga vereadora da Câmara de Lisboa Filipa Roseta, o historiador José Pacheco Pereira, a futebolista Francisca Nazareth, o humorista José Diogo Quintela, os escritores Miguel Esteves Cardoso, Henrique Raposo, Pedro Mexia, Afonso Reis Cabral, Rita Ferro e Francisco José Viegas.
A carta, que continua a recolher apoios online e já conta com mais de 4700 assinaturas à data da publicação deste artigo, rejeita a dicotomia defendida por André Ventura, que vê “este sufrágio como um confronto entre o bloco de esquerdas e o bloco de direitas, que qualificou como o campo ‘não-socialista’”.
“Pertencendo todos os signatários ao campo não-socialista, entendemos que André Ventura não nos representa. Rejeitamos tanto o estilo como a substância, a manifesta falta de sentido de Estado e o divisionismo que o candidato anuncia ao dizer desde já que não pretende ser o Presidente de todos os portugueses”, enfatizam.
Os signatários dizem ver em Ventura “propostas e posições inconstitucionais, discriminatórias ou atentatórias da dignidade humana” dando como exemplo a defesa de “confinamentos étnicos, sanções penais degradantes, a hipótese do regresso à pena de morte”, a “estigmatização de comunidades migrantes, um securitarismo de razia” e “alinhamento com autocratas e governos autoritários”.
“Por estas e outras razões, André Ventura não apresenta condições objetivas nem subjetivas para exercer o mais alto cargo do Estado”, argumentam.
Em contrapartida, acrescenta o grupo, António José Seguro, “desde sempre ligado ao espaço socialista, evitou na campanha o facciosismo ou a ofensa, e tem um percurso político de moderação, honestidade e dignidade”.
“Assim sendo, os signatários, ainda que não-socialistas, votam e apelam ao voto em António José Seguro. Temos decerto discordâncias ideológicas, mas sabemos que António José Seguro não atentará contra os valores democráticos e humanistas, nem contra os direitos, as liberdades e as garantias dos cidadãos”, frisam os autores da carta.
Voto antecipado: inscrições abertas
António José Seguro e André Ventura vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais, em 8 de fevereiro, depois de, no domingo, o candidato apoiado pelo PS ter conquistado 31% dos votos e Ventura, líder do Chega, obtido 23%.
Os eleitores podem inscrever-se a partir deste domingo e até quinta-feira para votarem antecipadamente em mobilidade em 1 de fevereiro na segunda volta das presidenciais.
Segundo a Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (SGMAI), os eleitores podem requisitar o voto por via postal ou eletrónica aquientre hoje e quinta-feira.
Para exercerem o direito de voto no dia 1 de fevereiro, devem dirigir-se à mesa de voto no município escolhido para votar no segundo sufrágio. Para estes casos “existirá uma mesa de voto antecipado em cada município do continente e das Regiões Autónomas”.
Para os eleitores que se encontrem doentes e internados em estabelecimentos hospitalares, bem como os que se encontrem presos, já podem requerer o exercício do direito de voto antecipado através do mesmo link, ou por via postal, até dia 29 de janeiro.
Nestes casos, a votação realiza-se a 2 e 3 de fevereirode acordo com o Portal do Eleitor, devendo os inscritos aguardar, “em dia e hora previamente anunciados, a presença do presidente da Câmara Municipal, ou do seu representante”, no estabelecimento hospitalar ou prisional, para exercer o seu direito de voto.
